Banco perde recurso contra aposentada que recebe um salário mínimo, enfrenta condenação por descontos indevidos de R$ 313,40 e deve pagar R$ 8 mil por dano moral

Uma aposentada de Dourados, em Mato Grosso do Sul, conseguiu no Tribunal de Justiça estadual uma condenação contra um banco por descontos relacionados a um empréstimo consignado não contratado.

A mulher, que recebe benefício de aproximadamente um salário mínimo, sofreu débitos mensais de R$ 313,40.

A 3ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul manteve a devolução em dobro dos valores indevidamente descontados e fixou indenização de R$ 8 mil por danos morais.

A decisão ocorreu após recursos apresentados pelas duas partes.

O que aconteceu com os descontos na aposentadoria?

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Segundo o relato do processo divulgado pela imprensa local, a consumidora identificou cobranças recorrentes associadas a um contrato que afirmou não ter celebrado.

Como o benefício previdenciário constituía renda essencial, os abatimentos comprometeram recursos destinados às despesas cotidianas.

Na primeira instância, a Justiça declarou a inexistência do contrato, determinou a interrupção das cobranças e ordenou a restituição em dobro.

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Naquela etapa, entretanto, o pedido de reparação moral havia sido negado.

O banco recorreu, contestando pontos processuais e tentando afastar as penalidades.

A aposentada também apresentou recurso para obter compensação pelo dano sofrido.

Por que o tribunal determinou R$ 8 mil de indenização?

O colegiado rejeitou as teses apresentadas pela instituição financeira e reconheceu que descontos indevidos sobre verba alimentar de pessoa idosa podem atingir sua dignidade.

Prevaleceu o entendimento de que, nas circunstâncias examinadas, o dano moral era presumido.

Por maioria, os desembargadores estabeleceram o pagamento de R$ 8 mil.

INSS

Banco pode ter até 30 dias para devolver descontos indevidos do INSS (Imagem: Reprodução/FDR)

Esse valor pertence ao caso concreto: não existe indenização automática de R$ 8 mil para todo aposentado que encontre um desconto irregular.

A restituição em dobro também depende das circunstâncias e da avaliação jurídica.

O resultado de um processo não substitui a análise das provas em outras situações.

Como agir ao identificar consignado não contratado?

Quem percebe um desconto desconhecido no benefício deve registrar os dados da cobrança e preservar documentos.

Uma sequência prática ajuda a organizar a contestação:

  • Consulte o extrato de pagamento e os contratos de empréstimo vinculados ao benefício.
  • Registre reclamação formal junto ao banco e guarde o protocolo.
  • Procure os canais oficiais do INSS para verificar as informações do consignado.
  • Se necessário, busque Procon, Defensoria Pública ou orientação jurídica.

É importante não compartilhar senhas ou códigos de acesso com terceiros que prometam cancelar empréstimos mediante pagamento antecipado.

O caso reforça a importância de acompanhar os extratos mensalmente.

Quanto mais cedo o aposentado identifica uma cobrança desconhecida, mais rapidamente pode reunir provas, solicitar esclarecimentos e tentar impedir novos descontos.

Maria Clara
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Maria Clara

Maria Clara é jornalista formada pela Universidade Federal de Pernambuco. Passei por redações de jornais produzindo notícias para os portais, fiz gerenciamento de redes e já fui a campo como repórter de rua em emissoras de televisão aberta. Instagram: @clarajordao_